Será que obtemos os mesmos resultados se copiarmos a dieta de um amigo que tem perdido peso? A resposta é depende, mas muito provavelmente não. Isto é algo que acontece com muita frequência e que eu vejo em alguns conhecidos, que é utilizar a mesma dieta para todos, seja porque criaram por eles próprios ou porque foi desenvolvido pelo nutricionista. O plano de treino bem como o plano de alimentação devem ser individualizados e devem depender de acordo com vários fatores como idade, objetivo, altura, peso, etc. Uma dieta pode funcionar numa pessoa e não noutra pois os corpos são todos diferentes e a atividade diária também.
Exemplo muito prático
Imaginemos que temos dois amigos, um de 68 kg e um de 120 kg, em que ambos fazem a mesma dieta. Isto é, ambos acabam por ingerir uma quantidade média diária de 2000 calorias. Contudo, para o amigo mais pesado de mais de cem quilos acabará por perder peso pois garantidamente estará a comer menos calorias do que o próprio corpo consome só por si, pois, quanto maior o peso, maior o número de calorias diárias que devemos ingerir.
Assim sendo, enquanto esse acabará por perder algum peso, que dependerá do défice calórico, o outro amigo acabará por ganhar peso pois as suas calorias de manutenção são garantidamente inferiores. Deste modo, aplicar o mesmo plano de alimentação com os mesmos alimentos e as mesmas quantidades para ambos não trará o mesmo resultado se ambos pretenderem perder peso. Logo, enquanto o que tem 120 kg pode consumir essa quantidade todos os dias, o outro terá de ajustar o seu plano para consumir um valor consideravelmente inferior, seja através da troca de alimentos ou até mesmo através da redução das quantidades. Outro caso será se tivermos duas pessoas com exatamente o mesmo peso: imaginemos dois irmãos com 58 kg cada. Contudo, 1 dos irmãos é advogado e está o dia todo sentado no seu escritório e apenas faz ginásio 2x por semana, enquanto o outro corre todos os dias e trabalha num café sempre a servir à mesa.
Portanto, enquanto o primeiro treina bem menos vezes na semana e tem um trabalho bastante mais sedentário que implica mais esforço psicológico do que físico, temos o caso do outro em que acaba por treinar diariamente (mais do dobro de vezes) e com maior intensidade certamente, e o seu trabalho só por si faz com que seja mais ativo e se mexa com mais frequência. Nestes dois casos poderemos aplicar a mesma lógica de alimentação? Claro que não pois os resultados serão bem diferentes. Aquele cujo trabalho exige mais esforço físico e que acaba por treinar mais vezes na semana terá de ter uma alimentação mais rica com mais calorias do que o outro pois o seu próprio corpo acaba por gastar em muito maior quantidade com as suas atividades diárias. Isto é que é importante de ter em conta que são diversos os fatores que dependem e por isso algumas pessoas acabam por desanimar ao ver amigos a atingir resultados mais rapidamente e de forma mais eficaz do que eles.
Será que a mesma dieta poderá funcionar?
No caso de termos amigos com os mesmos objetivos (isto é, ganhar massa muscular ou perder peso ou até mesmo manter a condição física atual), poderá resultar o mesmo consumo calórico apenas se ambos tiverem pesos e idades muito semelhantes, e até mesmo o esforço físico diário. Podem até não ter exatamente os mesmos resultados pois existem diversos fatores que influenciam, mas é a única ou das poucas situações em que até poderemos ponderar utilizar o mesmo plano de alimentação para mais do que uma pessoa, apesar de não ser recomendado e ser importante a personalização de modo a obter os melhores resultados possíveis.
O consumo calórico diário é o mesmo se tiverem pesos semelhantes?
Não, pois tal como referido anteriormente, o consumo calórico diário não depende apenas do peso, da idade e da altura, mas também da atividade física diária da pessoa. Portanto, se a pessoa é mais ou menos ativa no seu quotidiano de acordo com o exercício físico mas essencialmente dependendo do seu trabalho. Se tivermos pessoas com trabalhos diferentes, obviamente que o seu consumo diário será diferente e as pessoas mais ativas acabarão por poder aumentar as suas calorias de manutenção. Logo, se tem uma profissão mais ativa, tenha em considerava que gasta mais energia do que outras pessoas em profissões menos ativas, e graças a isso poderá aumentar o seu consumo calórico diário.
O que são profissões mais ativas?
Profissões mais ativas são aquelas que permitem que a pessoa se mantenha mais ativa durante a realização do seu trabalho, fazendo com que mexa mais o seu corpo e gaste muito mais energia. Exemplos disso são profissões como agricultores, personal trainers, dançarinas, nadadores, empregados de limpeza, mecânicos, entre outros, que são consideradas profissões bastante ativas. Como profissões razoavelmente ativas podemos ter as pessoas que servem às mesas pois devem estar em constante movimento, ou as pessoas que engomam pois estão constantemente a mexer os braços, cabeleireiros que se mexem com uma dada frequência também, ou até mesmo seguranças que devem fazer algumas rondas em edifícios ou outros locais. Finalmente, como profissões poucos ativas temos essencialmente aquelas em que o trabalho é maioritariamente feito em escritório sentado e por isso implica pouco esforço físico. Exemplos desses trabalhos são rececionistas, programadores, gestores, advogados, atendimento ao público, entre outros.
Então idealmente o que deverei fazer?
Idealmente deve consultar um especialista para fazer um plano de alimentação à sua maneira e que vá de encontro aos seus objetivos. Estabeleça qual o seu objetivo (aumentar massa muscular, diminuir a percentagem de gordura, ficar mais leve para conseguir correr melhor, etc) e, com base nos seus parâmetros, pode utilizar uma das diversas calculadoras disponíveis na internet para calcular as suas calorias de manutenção considerando o seu fator de atividade (isto é, a quantidade de calorias que o seu corpo gasta e que o fará se manter igual sem perder ou ganhar peso). Depois, com base nessa quantidade, caso pretenda aumentar de peso com qualidade, deve considerar cerca de 25% extra de calorias, e o oposto no caso de querer emagrecer, onde deve reduzir até 25% das calorias.
Portanto, por exemplo, se as suas calorias de manutenção são 2000, para emagrecer deverá consumir menos de 2000 até 1500, e para aumentar de peso deverá consumir um valor entre as 2100 e 2500 calorias. De seguida, nessas calorias deve fazer a distribuição de macros (isto é, fazer um cálculo da gordura, proteína e hidratos de carbono que deve consumir diariamente) também com base em fórmulas já disponíveis, e, finalmente, criar o plano de alimentação tendo tudo isso em conta e idealmente com alimentos que sejam saudáveis mas que goste para que não acabe por desistir a meio do processo. Normalmente os nutricionistas antes da elaboração dos planos adequados aos clientes acabam por questionar sobre preferências alimentares pois tudo isso se torna fundamental para garantir que o segue à risca e que consegue obter os resultados esperados.
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